Eu queria que ele soubesse - Parte II
Eu queria que ele soubesse que o motivo das minhas lágrimas não é falta de amor, não é arrependimento.
Que o motivo do meu silêncio é em parte dor, é em parte presente, é em parte passado.
Eu queria que ele soubesse do ferimento antigo, antes dele, de nós de tudo. Aquela angústia de quem merece mais e recebe menos. Aquele cansaço.
Eu queria que ele entendesse e soubesse que me encontro num lugar em que sou tudo e nada.
Queria que ele soubesse o quanto eu tentei ser maior, melhor, mais sábia, mais lúcida. Nem sempre dá. Ele devia saber.
Queria que ele soubesse dos dias que me desfiguram. Dos dias em que sou vazio.
Hoje é um desses dias desfigurada, incompreendida, solitária e escondida. Ele devia saber.
Ele devia saber do meu desejo de ser plenamente amada. Ele devia saber que o meu desejo era simples, infantil, exibicionista, extraordinário. Que eu não precisava de mundos criados, de arte, de invenção. Ele devia saber que eu queria só o pé no chão. Ele devia saber...
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